quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Derniers baisers (3):



(Continuado daqui)
Levanto-me cedo. Quero passear um pouco pelo meu território. Percorro a pé algumas ruas que foram "minhas"  na infância. Ruas por onde andava de bicicleta, fazia corridas de automóveis dinky toys no passeio, jogava à bola, negociava cromos ou apenas conversava.
Ao final da manhã atravesso a ponte e sigo pela marginal de Gaia rumo a Espinho. Não posso deixar de admirar a obra de Luís Filipe Meneses. Endividou a câmara a níveis incomportáveis que condenarão as gerações futuras, mas desnudou a  orla costeira e ofereceu-a, com toda a sua beleza, às populações.
Paro na "minha" praia de Miramar para tomar um café. Passo pela Aguda e, na Granja, detenho-me no local  daquela que foi outrora a casa de Sophia. Lembro-me de "A Menina do Mar", onde ela dizia ser a Granja o sítio do mundo de que mais gostava.
Em Espinho derivo para o interior. Destino: S. João da Madeira. É altura de mostrar à Baixinha uma outra casa da minha infância. Almoço na sala de jantar onde fiz  muitas birras, porque era preguiçoso para comer. Tomo café na sala onde a família se reunia após o jantar.Na altura não havia televisão. As pessoas conversavam, contavam histórias e liam. Por momentos pressinto a presença do meu avô e apetece-me sentar-me ao colo dele. Vou ao quarto onde tantas vezes dormi. Desço à sala onde aprendi a jogar bilhar e onde ainda permanecem, nas paredes, algumas das fotografias tiradas pelo meu avô. Cada fotografia tem uma história. Que eu conheço. 
Passeio um pouco pelo jardim. Sento-me no caramanchão a fumar uma cigarrilha e a rebobinar o filme com episódios da minha infância, numa fita já demasiado gasta.
 A tarde está quente, mas sigo a pé até à fábrica, como noutros tempos em que era levado pela mão do meu avô. Mais uma vez pressinto a sua presença. Entro na Torre Oliva, falo com uma funcionária que me recebe com simpatia e me convida a visitar o Museu da Chapelaria, onde repousam mais algumas das memórias da família.
Já tenho muitos nós na garganta. Despeço-me de S. João da Madeira com saudade. A paragem seguinte é Vila da Feira onde vou comprar a "verdadeira" fogaça prometida à Baixinha. Uma visita ao Castelo,entro na estrada rumo a Arouca, mas sou detido por um incêndio. Regresso a S. João da Madeira. Tiro mais uma fotografia à casa e sigo para Aveiro, onde decidimos passar a noite. Estou a precisar de uns ovos moles que me adocem as memórias.   
( Continua amanhã)



6 comentários:

  1. Regressar às origens é um exercício que eu faço amiúde. Adoro!

    Quanto ao resto, ainda agora vai começar o calvário. A operação à cabeça, está marcada para 7 ou 10 de Outubro. Entretanto já fiz três, aos olhos, já que o nervo óptico está a ser comprimido. Sei que vai correr bem, pois eu costumo vencer todos os desafios, até ... um dia!
    Um grande abraço amigo Carlos

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  2. Carlosamigo

    Nem com 27 barricas de ovos moles adoçarias as memórias. As antigas - revivem-se; as modernas - são para esquecer.

    Essa peregrinação pelas memórias antigas tem sabor a hortelã? Para mim, face às tais minhas memórias antigas, têm. Têm de Portalegre, da Rua de Infantaria 21, ali à beira da Corredoura, onde o busto de José Duro poetava todos os dias, de preferência pela manhã, jogando ao eixo ribaldeixo com o Régio, ou melhor, com os Cristos dele.

    Pois, que coincidência, também saborear as memórias antigas por Portalegre. Pelas procissões onde o meu avô materno, o Senhor Tenente da Guarda Fiscal, Brás Antunes ia ao palio.

    E pelo Vale de Santarém, onde a minha tia-avó, a Senhora Dona Etelvina Ferreira, tinha casa e vinhedos e lagar de vinho - em que pisei uvas e aprendi que a prensa era para o engaço e depois a serpentina para fazer o bagaço e lagar de azeite, de mós de pedra puxadas a mulas, uma delas, a Gibralta, com certeza não sabia onde era o estreito da família.

    Estas são algumas, sublinho, algumas das antigas; como eu compreendo as tuas, muito mais "modernas" do que as minhas, mas os berlindes eram os mesmos, e o arco era também. As de hoje - nem pó! Porque hoje não há memórias, há estupidez e crimes dos gajos que dizem que nos (des)governam.

    Mas, para quê estragar as memórias antigas. Elas, ao contrário do que canta o Mourão, conseguem voltar atrás e dar-nos o sabor - delas.

    Abç

    Henrique

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  3. Estamos quase a chegar à GRANDE CIDADE do País :)))

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  4. Reviveste páginas do teu livro da vida.

    Imagino a tua emoção!

    Estou a adorar!

    Beijinhos.

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  5. Olá meu querido,
    Que bom fazer essas viagens ao passado e sentir essa saudade gostosa de coisa lindas que se foram, isso faz muito bem a alma, mas nunca devemos esquecer que pertencemos ao agora e hoje certamente é o melhor momento pra ser feliz.
    É por essas e outras que tenho mania de fotos rsss , ainda vão dar muitas e muitas risadas lembrando de minhas" travessuras" afinal ainda sou adolescente é bem verdade que de quarentas e alguns anos kkkkk
    Viver é maravilhoso e só se tem saudades de coisas boas.
    beijos
    Joelma

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  6. Olá meu querido,
    Que bom fazer essas viagens ao passado e sentir essa saudade gostosa de coisa lindas que se foram, isso faz muito bem a alma, mas nunca devemos esquecer que pertencemos ao agora e hoje certamente é o melhor momento pra ser feliz.
    É por essas e outras que tenho mania de fotos rsss , ainda vão dar muitas e muitas risadas lembrando de minhas" travessuras" afinal ainda sou adolescente é bem verdade que de quarentas e alguns anos kkkkk
    Viver é maravilhoso e só se tem saudades de coisas boas.
    beijos
    Joelma

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